 |

 





|


Verissimo
nasceu na capital gaúcha, voltou para ela depois de vários
períodos passados fora, e continua morando nela hoje, evitando
o burburinho do eixo Rio-São Paulo e se acolhendo na famosa
casa da Rua Felipe de Oliveira, construída por seu pai, Erico
- que é nome de avenida na cidade. Portanto, ele conhece perfeitamente
Porto Alegre, mas entende que, para os forasteiros, é difícil
entender os nomes de suas praças e ruas, além de alguns
costumes. Ele tenta explicá-los nas crônicas que escreve
sobre sua terra.


Luis
Fernando Verissimo morou no Rio de 1962 a 1966, na casa de uma tia,
na pequena Rua Aurelino Leal, no Leme, Zona Sul da cidade. Além
de trabalhar como tradutor e redator de publicações
comerciais, ele viveu momentos um tanto importantes neste seu período
carioca: namorou e se casou com Lúcia Helena Massa, sua companheira
até hoje, e viu nascer sua primeira filha, Fernanda. Mas sua
vocação de escritor só viria a ser descoberta
já no fim dos anos 60, de novo em Porto Alegre. O Rio permaneceria,
ao longo das décadas, como pano de fundo e inspiração
de diversas crônicas, como as três aqui reproduzidas,
que têm Grajaú e Copacabana como bairros-cenário.


Depois
de diversas visitas rápidas, Verissimo resolveu se estabelecer
em Paris de maio a dezembro de 1990, montando seu quartel-general
na pequena Rua Greneta. Em alguns momentos, como indica o texto Exagero,
nem precisou sair do apartamento para encontrar assuntos para suas
crônicas. Mas os textos também indicam que ele conhece
Paris com o rigor dos andarilhos, discorrendo sobre os mais variados
cantos da capital francesa. Para não esquecer os caminhos e
descobrir novos, ele passa uma temporada por ano na cidade.


Aos
6 anos, Verissimo foi morar com a família na Califórnia.
Mas os Estados Unidos ficaram bem mais interessantes para ele entre
os 17 e os 20 anos, quando, vivendo com os pais em Washington, aproveitava
a proximidade de Nova York para ver seus ídolos do jazz tocarem.
Ele mesmo passou a empunhar um saxofone, que, assim como o amor pelo
jazz, nunca largou. Em 1980 foi a vez de ele levar seus filhos para
morar seis meses em Nova York, estada que resultou num livro e na
confirmação de um olhar, ao mesmo tempo, apaixonado
e crítico sobre a cidade e a cultura americana. E, por histórico
acaso, Verissimo estava em Manhattan em 11 de setembro de 2001, quando
dois aviões pilotados por terroristas destruíram o World
Trade Center e abalaram o mundo.


Durante
seis meses de 1986, Verissimo e família vivenciaram o caos
que faz o dia-a-dia de Roma transcorrer de forma incrivelmente harmoniosa.
A aversão às filas, a loucura do trânsito, o bom
humor dominante, a majestade histórica e artística e
outras características romanas estão retratadas nas
crônicas sobre a cidade.


Na viagem a Madrid que fez em 1996 e resolveu transformar em livro,
Verissimo teve don Jesús como guia de fato e Goya como anfitrião
emocional. O pintor do século XVIII, mesmo na inevitável
condição de fantasma, ajudou muito o escritor a entender
a história e a beleza da capital espanhola, que aparece nas
crônicas transbordando arte, boa comida e alegria.


Para
Verissimo, o Japão no presente é o que, no passado,
se imaginava ser o futuro. Esta mistura de dimensões de tempo,
marcante num lugar que procura conciliar os rigores da tradição
e o ritmo frenético da modernidade, está retratada nas
crônicas que ele escreveu sobre o país, em especial sobre
a capital, a partir de duas viagens que fez. A terceira foi em 2002,
para cobrir a Copa do Mundo e ver o Brasil se sagrar pentacampeão.
|
|
|