Leia a primeira matéria da série "O Acre de Chico Mendes", agora lançada em livro.
















Entrevista com Genésio Ferreira da Silva feita em 1989, quando o então adolescente sofria ameaças de morte por ser a principal testemunha do caso Chico Mendes.

Aos 7 anos, Genésio Ferreira da Silva foi dado por sua mãe ao fazendeiro Darly Alves da Silva. Aprendeu a pastorear o gado, cuidar da roça, e também a engolir em seco as violências que sofria e a ouvir calado histórias de crimes cometidos pelos filhos e pistoleiros de seu tutor/dono. Aos 14, tornou-se a testemunha-chave do processo que levou Darly à cadeia. Passara muito tempo ouvindo o nome de Chico Mendes sendo xingado na Fazenda Paraná e a morte do líder seringueiro sendo tramada. Escutara até Darly conversando com seu filho Darci, assassino de Chico, pouco depois de o ecologista ter levado o tiro que o matou em 22 de dezembro de 1988. Quando Zuenir Ventura chegou ao Acre, em abril do ano seguinte, Genésio já tinha contado à polícia o que sabia, e recebia várias ameaças de morte. Ainda assim, teve a coragem de continuar contando a verdade, tanto para as autoridades quanto para a imprensa, em especial para Zuenir, que acabaria trazendo-o para morar no Rio durante um período. A série de reportagens “O Acre de Chico Mendes”, que valeu a Zuenir o Prêmio Esso, teve na entrevista de Genésio um de seus grandes momentos. Ouça aqui trechos desta entrevista.

Em tempo: apesar das ameaças, Genésio está vivo.

 

 




Ouça trechos dessa entrevista:

“Uma vez eu achei uma caveira lá. Fui olhar, era um cara queimado”

"O véio Darly falava do Chico: ‘Esse cabra é ruim, não presta, tem que matar’"

"João Branco falou para o véio Darly: ‘Se você matar, eu ajudo’"

"O véio Darly perguntou: ‘Como foi?’ ‘O homem tá morto. A gente atirou nele’"

"Muitas pessoas podiam estar no meu lugar, mas ninguém teve coragem"